Inventário: os caminhos possíveis e o que cada um exige
Quando alguém morre, o patrimônio precisa ser formalmente transferido a quem tem direito. Este texto explica as duas vias previstas em lei, o que cada uma pressupõe e por que a escolha nem sempre está nas mãos da família.
Gabriela Giroto · Campinas/SP · 22/08/2026
A morte de uma pessoa abre a sucessão, e com ela a necessidade de transferir formalmente o patrimônio a quem tem direito. Esse procedimento é o inventário. Enquanto ele não se conclui, os bens continuam registrados em nome de quem faleceu: a casa não pode ser vendida, o carro não pode ser transferido, a conta bancária não se movimenta.
O ordenamento prevê duas vias, e a escolha entre elas não é preferência da família.
O inventário extrajudicial
Feito em cartório, por escritura pública. É a via mais direta, e a lei condiciona o seu uso a três requisitos simultâneos:
- todos os herdeiros são maiores e capazes
- há consenso entre eles sobre a partilha
- não existe testamento, ressalvadas as hipóteses admitidas pela jurisprudência
Faltando qualquer um deles, o caminho é o judicial. A assistência de advogado é obrigatória nos dois casos.
O inventário judicial
Corre perante o juízo competente e é o caminho quando há herdeiro menor ou incapaz, quando existe divergência sobre a partilha, ou quando há questões que exigem decisão judicial: a validade de um testamento, a existência de dívidas discutidas, a apuração de bens que não estão claramente identificados.
A escolha da via não é uma questão de conveniência: ela é definida pelos fatos, e reconhecer isso cedo evita retrabalho.
O prazo e o que ele significa
A legislação estabelece prazo para a abertura do inventário, e o descumprimento tem consequência tributária prevista em lei estadual. Não se trata de perder o direito à herança, que não se perde por decurso desse prazo, mas de um custo adicional que se soma ao imposto devido.
O que costuma atrasar
Na prática, o que mais alonga um inventário raramente é o procedimento em si:
- documentação incompleta dos bens, especialmente imóveis com registro desatualizado
- dívidas do falecido que só aparecem no curso do processo
- desacordo entre herdeiros sobre a destinação de um bem específico
- ausência de planejamento anterior, quando havia patrimônio a organizar
Por que este texto existe
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